Mediação
de conflitos

Quando há um conflito, existe ali uma oportunidade de reparação e criação de intimidade. O conflito pode ser intento - entre o que sentimos e o que expressamos - ou externo, com uma outra pessoal envolvida. Acreditamos que esse é um momento precioso de oferecer escuta e acolher a emoção que está sendo vivenciada pela(s) criança(s). Para isso é importante que o adulto consiga praticar ao julgamento, oferecendo escuta e apoio para todos os envolvidos. 

O Julgamento é uma ação intrínseca do ser humano que nos permitiu a vida no passado. Ele nos ajudou e ajuda a definir se uma situação é perigosa ou não, servindo para a nossa própria segurança. Falar em não julgamento é até utópico. Eu julgo, você julga, todos nós julgamos. A diferença aqui é a maneira que fazemos os nossos julgamentos e a forma que agimos a partir deles.

As crianças estão descobrindo o mundo e habilidades sociais a todo momento. Nesse descobrir emoções emergem numa impulsividade primitiva. Tapas, gritos, choro, mordidas... Percebemos que o adulto julga o atuar da criança a partir de uma olhar já "contaminado"com a moral do adulto, esquecendo que as habilidades sociais emergem e se constróem no desenvolvimento infantil.

 

Na Educação Viva & Consciente buscamos não julgar as crianças e as suas manifestações. Nada está certo nem nada esta errado. Esta simplesmente o que esta. Tudo faz parte do processo de evolução.

Para clarear tal ponto trazemos o seguinte exemplo: Quando uma criança bate em outra criança por alguma situação que aconteceu entre elas, percebemos que normalmente o adulto já coloca uma carga negativa ao falar com a criança. Repreendendo o ato de uma maneira muito agressiva. As vezes até gritamos.

Nesse exemplo precisamos trazer para a consciência que a criança recebe a fala do adulto de uma maneira completamente diferente de como nós adultos a recebemos. A criança sente no seu mais profundo e acredita que algo está errado com o seu sentir. Nesse exato momento, ela se desconecta dela mesma abrindo espaço para “confiar” naquilo que a voz externa do adulto afirma. Esse processo não acontece de uma maneira consciente e elaborada, ele simplesmente se dá.

Com isso não queremos dizer que famílias e educadores devem tolerar batidas, gritos, chutes ou mordidas. Claro que nao. Ações que prejudicam os outros ou a si mesmo não são maneiras apropriadas de expressar sentimentos.

Aproveitar os momentos de perturbação da criança para oferecer a ela contorno emocional é de extrema importância - nomear os sentimentos, validá-los, conectar-se - para depois oferecer maneiras apropriadas para lidar com determinada situação ajudam e muito a criança a ir aprendendo habilidades emocionais. Saímos da repressão para aceitação do que o outro está sentindo, e a partir disso conectamos e podemos ajudar a criança a lidar com as diversas emoções que passam por ela, agindo de outra maneira.

Precisamos entender que em muitas situações o julgamento fala mais sobre nós mesmos do que a pessoa ou ato em si. O que se esconde no julgamento pode ser a própria projeção da sombra refletida no universo que perfaz o outro. O pedido aqui é para que cuidemos do que é nosso, do nosso jardim, para que nossa sombra não recaia na criança.
 

Aproveitar e escutar os julgamentos que surgem no encontro com com a criança pode ser um grande e libertador exercício de autoconhecimento.

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